A internet está cada vez mais cheia de informação — e, ao mesmo tempo, existe aquela sensação estranha de que nada realmente acontece. É justamente desse paradoxo que os irlandeses Gurriers partem em “Nothing Happens Twice”, terceiro aperitivo de seu segundo álbum, Nobody’s Coming To Save You. A faixa foi lançada em 12 de agosto de 2026 pela Play It Again Sam.
Formado em Dublin, o Gurriers vem construindo sua identidade a partir de uma combinação particularmente explosiva de pós-punk, punk, noise, hardcore e rock alternativo. Depois de Come And See, álbum de estreia lançado em 2024, a banda retorna com uma produção ainda maior, mais pesada e mais dinâmica.
E Nobody’s Coming To Save You, com lançamento marcado para 25 de setembro, deixa isso bastante claro. O novo trabalho reúne dez faixas e amplia a sonoridade que colocou o quinteto entre os nomes mais interessantes da nova cena punk irlandesa.
⚡ “Nothing Happens Twice”: quando a internet começa a parecer artificial
A nova faixa nasceu a partir de uma referência bastante particular: Samuel Beckett e sua clássica peça Waiting for Godot.
Mas Gurriers transporta essa sensação de espera e absurdo para o presente. “Nothing Happens Twice” aborda a alienação provocada pelo ambiente digital e a chamada “teoria da internet morta”, ideia de que uma parcela cada vez maior do conteúdo online seria produzida ou movimentada por bots e sistemas automatizados.
O resultado é uma música nervosa, inquieta e desconfortável — exatamente como o tema exige.
Maior, mais pesado e mais ambicioso
Se o primeiro disco apresentou o Gurriers como uma banda visceral, o segundo parece determinado a aumentar todas as proporções.
Nobody’s Coming To Save You foi gravado entre a Attica Studios, em Donegal, e a Holy Mountain Studios, em Londres. Na produção estão Mark Bowen, guitarrista do IDLES, e Loren Humphrey, conhecido por trabalhos com Geese e Cameron Winter. Chris Fullard assumiu a engenharia, enquanto a mixagem ficou nas mãos de John Congleton, profissional que já trabalhou com St. Vincent, Modest Mouse e Swans.
A equipe ajuda a explicar a dimensão sonora pretendida pela banda.
As guitarras ficam mais densas, a dinâmica aumenta e os momentos de explosão parecem pensados para sair do pequeno clube e ocupar espaços muito maiores. O próprio conceito de produção do disco passa por essa ideia de construir algo mais tridimensional, físico e impactante.
Do porão para o palco grande
A diferença não está apenas no volume.
O Gurriers trabalha com tensão e liberação, alternando passagens claustrofóbicas com explosões que desembocam em refrões e momentos de catarse. “Shades”, por exemplo, combina guitarras angulares e elementos industriais com uma explosão hardcore, enquanto “Drones” aposta em uma construção lenta até chegar a um impacto pensado para o mosh pit.
O novo álbum ainda reúne faixas como “Party Lines”, “Pins”, “Today Is Not Enough”, “Waiting For Fisher”, “I Wish I Was” e “Crybaby”, formando um retrato de uma banda que não parece interessada em repetir a fórmula do primeiro disco.
Gurriers na SSROCK
É nesse cenário que “Nothing Happens Twice” chega à programação da SSROCK.
A faixa traz exatamente aquele tipo de energia que atravessa fronteiras entre pós-punk, rock alternativo e punk contemporâneo: guitarra nervosa, bateria pulsante, tensão crescente e uma letra que conversa diretamente com um dos fenômenos mais estranhos do nosso tempo.
O Gurriers não está simplesmente fazendo barulho. Está usando o barulho para transformar ansiedade digital, alienação e inquietação contemporânea em música.
Gurriers – “Nothing Happens Twice” já está na SSROCK.
E quando Nobody’s Coming To Save You chegar em 25 de setembro, a banda promete entregar justamente aquilo que seu novo som anuncia: mais peso, mais velocidade, mais dimensão e nenhum sinal de acomodação.
Os lançamentos mundiais rolam aqui!